O peão da criança
Eis que me vejo
Em espiral.
Não como o peão de uma criança,
Que gira para entreter,
Nem tampouco o piloto,
Que gira no globo
Para vender ingressos no circo
À mesma criança
Que gira o peão.
Eis que sou um palhaço,
Sem plateia e sem palco.
Giro como um tonto,
Esperando a queda.
Giro, pois sou um tonto,
E vomito no tombo.
Esse embrulho que sinto
Não é como o da criança,
Que espera ansiosa,
No pé da árvore de Natal,
Um peão para brincar.
O embrulho que sinto,
Se o desembrulho,
Não há peão,
Não há globo.
A vida pregou-me uma peça:
Fez-me adulto,
Sem ter tido o peão,
Sem poder ter sentido
Do Globo, a emoção.
No picadeiro,
Ao cerrar das cortinas,
A máscara não cai.
A vida fez-me,
De fato,
Um circo.
CRISTIANO WARDIL
Enviado por CRISTIANO WARDIL em 08/07/2025
Alterado em 08/07/2025
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