Houve neblina no dia em que te vi.
E só o meu sorriso que te tocou.
Pensei ser dia de chuva,
Só que precipitou.
Quando chove, eu fico em dúvida:
Se o barulho é da chuva
Ou será o som
De todas as lágrimas por mim perdidas.
O cheiro de terra molhada
Confunde-se com o meu lençol úmido.
O vento que uiva e faz companhia
Anuncia a minha partida.
Vou-me já,
Molhado, sim,
Até à ossatura.
Mas não do orvalho.
Molhado desta angústia que não cura,
Desta chuva de mim.