Soneto do Cansaço
A vida ensaiada, um palco sem fulgor,
O gesto medido, o riso que se esconde,
Num roteiro chato, que jamais responde
Ao grito da alma, mudo de pavor.
Viver de mentira, disfarce sem calor,
A rotina fria, onde a paixão se afunde,
E o eu verdadeiro, exausto, já não inunde
O peito com o gosto real do amor.
Ah, se pudesse o rumo desviar,
Quebrar as correntes, rasgar o papel,
E enfim me encontrar, para de novo amar.
Mas pesa o fardo, o tempo amargo, o fel,
E a alma cansada, sem força pra lutar,
Permanece presa nesse triste anel.
CRISTIANO WARDIL
Enviado por CRISTIANO WARDIL em 09/08/2025