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Cristiano Wardil
É no cemitério da vida que a alma floresce
Textos
A data de validade do amor
Se o amor, essa coisa, viesse com carimbo,
protocolo de entrada, data de fabrico,
um prazo de validade no verso da nota,
talvez o mundo fosse menos torto.

O coração, essa bomba desregulada,
não sabe de sístoles ou almanaques.
Apenas bate.
E desbate.
Contração, expansão:
burocracia de um músculo cansado.

E o homem, com sua mania de engenheiro,
tenta registrar em ficha o imponderável.
Conjuga o verbo amar
na mesma folha de ponto
do verbo contar.
Desempregado!

A gente se apaixona pelo projeto,
pela planta baixa do corpo.
Acelera no asfalto liso de uma perna
e derrapa feio na curva de um ombro.
Fim de linha.
Chão...

Há os que amam com método,
como quem cata feijão no jornal de ontem.
Separam o grão são da pedra,
o beijo certo da palavra gasta.
No fim, comem um prato de nada,
Temperado a regulamento.

E o meu amor?
Ah, o meu amor é artigo de luxo.
Não o conto, ele é.
Existe no mundo, e só.
Que se lixe a validade, o selo do inspetor.
Se azedar, que azede,
ainda será amor,
e o que sobra dele.
Uma pedra no meu peito.
Pesado que me entorta
Mas meu, só meu.
E ele eu não conto,
Que se dane o relógio
e o tique taque do ponteiro.
CRISTIANO WARDIL
Enviado por CRISTIANO WARDIL em 13/08/2025
Alterado em 13/08/2025
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