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Cristiano Wardil
É no cemitério da vida que a alma floresce
Textos
Qual dor é mais doída?
E dói
Como Dói
Qual dor é mais doída?
A que causei
Ou a que sinto por ter causado?

Justo nela
Quem tem, no peito, o nome chaga
Mas que nunca permitiu
Que, de dor, fosse chamada

E, agora,
Sempre que eu chamá-la
A dor provocada,
Será lembrada

Como poderei, eu
Reconquistá-la
Se, o meu eu,
É dor anunciada

Como poderá, ela
Lembrar sem pesar
Do meu beijo e da minha fala
Sem que, dor, haja

Talvez eu não mereça
Cuidar de sua chaga
Sendo que a minha
Está podre e escancarada

Pensei que meu novo eu
Fiel e amado
Fosse, minimamente,
Razoável

Pensei que meu novo eu
Soubesse usar
Dos verbos e das palavras
Sem machucar

Pensei que meu novo eu
Limpo e sem mágoa
Não maculasse
A própria amada

Talvez esse novo eu
Fosse só brincadeira de Deus
Temporária
Não mereço nova largada

Talvez aquela corda
Com o nó ainda atado
Somente ela
Mereça minhas lágrimas

Talvez eu não saiba
Viver desarmado
Eu que já fui
De todos, o maior malgrado

E se um dia eu souber
Como tratá-la
Talvez, estarei mudo
E enterrado

Local adequado
Frio e mofado
Coerente com este
Que agora vos fala

Esquivo-me do espelho
Não ouso mirar
Com tanto pesar
Minha face embaçada

Há recobro dessa obsessão?
Não, não há pecado lavado!
Não há um novo eu
Só o velho, disfarçado

E bem que acreditei
De mim até gostei
Mas o que não se disfarça
É a dor não curada
CRISTIANO WARDIL
Enviado por CRISTIANO WARDIL em 16/08/2025
Alterado em 16/08/2025
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