Veleiro cego
Amar-te é amar o mar
Naufrágio sem cais
Sem beira
Sem ar
É navegar
Num veleiro de palha
Com o leme oco
E a vela brocada
E do vento de popa
Que anuncia o capote
Eu tento a sorte
De não afundar
E da água que jorra
Da onda a bombordo
Salgo essa sede
Suor do mar
E o mais belo de tudo
Não é o anil do topo
Mais o breu do infinito
Em que ouso boiar
E no cair da treva
Que anuncia a tormenta
Esse veleiro
Irá contestar
É o rumo sem guia
A maresia
A corrosão
Que é te amar
Amar o mar
Amar sem ar
CRISTIANO WARDIL
Enviado por CRISTIANO WARDIL em 09/09/2025
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