O tempo do amor
Se o eu te amo tivesse validade
Tão certo quanto a gravidade
Seu tempo, contato, certamente seria
Por peitos que, em descompasso, vivem em arritmia
O amor mora na diástole
Se esvai na sístole
É um ciclo tal qual o tempo
Que alguém inventou quando começou a contá-lo
Como se amar e contar
Fossem verbos conjugados
Ama-se a forma
No seu mais delineado contorno
Acelera-se nas retas e
Capota-se nas curvas
Há que se frear essa loucura
Pois quem ama contando
Como quem cata feijão
Não aproveita o deleite
E contenta-se com o tempero pronto
Se eu conto o meu amor?
Sim, de fato, sem pressa e lamento
Aos quatro ventos
De tal maneira
Que a sua própria validade
Vencida ou azeda
Não o destempera
CRISTIANO WARDIL
Enviado por CRISTIANO WARDIL em 10/02/2026
Alterado em 05/08/2026
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